Regresso VII

14.01.2016

 

Na chegada, flores

Na janela, poucas cores

Na poltrona, o choro continuo

No chao, o frio superfluo

Num quarto, o silencio

No outro, o cheiro

Na banheira, o ressentimento

Na pia, melancolia

No chuveiro, lagrimas

Na lareira, aspereza

Na geladeira, a crueza

No fogao, o fastio

Na cortina, o brio

Na cama, sono lento

No travesseiro, um acalento

No sonho, tome tento

Na manha, um novo dia

No olhar, o seguir da vida.

 

Sucinto

28.11.2011

 

restinga

dentro da seca

a crua incerteza

que a mente alimenta

 

respinga

amargura de outros solos

sedentos de dignidade,

amor, decência

 

retinta

a pouca luz

que aos olhos resigna

pavor, estupor

 

novamente a restinga

baixa e rasteirinha

surge lentamente

entre grãos e selvageria

 

calmamente restinga

nos olhos diante da dor

suscita mais um ciclo

e ressucita amor.

 

--

 

Flor de maitá

07.07.2009

 

Maitaca que palras tão alto assim,

por que voaste para longe de mim?

 

Tinhas o cume da cabeça vermelha

Pairavas sobre a ramaria de folhas tenras

Te alimentavas de coco de palmeira

 

Dentro de teu ninho em tronco oco

deitavam-se-lhe caídas penas

de teu robusto e alongado corpo

 

Colhi-te frutos de imbaúba

Lancei-te os brotos mais maduros

Vi eriçar-te delicada pluma

 

Hoje ao acordar, não ouvi-te galrar

Sem fazer ruido, voaste maitaca

As penas que deixaste, porém, ir-se-ão aflorar

 

Flor de maitá

ca´stá.

 

--

 

Descortina do mundo

09.09.2009

 

passos que guiam os olhos

cujas pálpebras semi-cerradas enchergam na escuridão

o vazio da falta de esperança

 

de quem são os pés magros

que caminham diante da dor

do cenário de sangue, tortura, terror?

 

o olhar traz dentro o mundo

contido como uma semente morta

que caiu na terra e secou na amargura

 

a lágrima que escorre é pouca

pra lavar a doença que contamina

outros olhos, outros pés, outras vidas

 

ninguém pode mudar o olhar daquele

que desespera

será?

e aquele vulto que passa no semblante da noite?

 

é o amor?

sim, trazendo paz

mas vaguea sem por nenhuma porta conseguir entrar.

 

--

 

Enlaçado 

12.09.2010

 

solta as correntes da vaidade

verdade estampa na pele

os laços que apertam

se desamarram

 

cada nó uma sentença

 

em cada quadro de grade

um trecho de liberdade

libertinagem é Bandeira,

se carrega com braços abertos

 

para além da cerca,

passos descompassados

o caminho fora dos trilhos

 

ao longe, os canteiros,

as rosas, o perfume,

espinhos que não ferem

 

véu acerca dos sonhos

rendado

se tinge de pérola

 

farpas desprendem-se

dos fios de arame

faça-se passar

pouco ou nada arranha

 

Tás vindo?

- Tô vendo o céu.

 

-Poems in Italian--

 

Terrazza Paradiso 23.08.2014

 

era una

erano due

furono tante volte

fuocchi di artifici

dalla finestra all'universo

sospiri all'orecchio

una canzoncina che leggermente

si propagava insieme

ai loro respiri

 

c'era il sole

c'erano le nuvole

furono le stelle

brillanti e scintillanti

che gli rapportavano ovvunque

dalla stanza al pianeta

più lontano

in secondi tutto ciò perpetuato 

per anni

 

una piccola terrazza

una grande terrazza

tutte le due parevano le stesse;

erano il paradiso

di due amanti

che di giorno godevano

e di sera si nascondevano 

sotto le coperte

nudi, al buio.

Valsa con Ale

01.06.2009

 

Mille valse danzerei

se con un corpo sotille

mi affacciassi al cuor tuo

come un soffio di brezza

che si lancia tenero

verso la tua pele delicata

 

Danzerei nello sguardo

che si solleva dalla profondità

di un cielo limpido

[muoversi nell´imensità

sarebbe come vollare

rallentando]

 

Sommersa nell´aria

la danza inebriante

diventa lenta,

a divagare assieme

al petto tuo.

 

--

 

Monte Olivetto

07.11.11

 

sul monte il sole si tramonta

versa il colore nel sentiero

rosso come dentro le vene

 

sulla cima la luce mi lusinga

sorvolano dei pensieri

nella memoria dipinta

 

suona il campagnello

mentre i raggi passegiano altronde

 

galleggia il mio cuore

sulle nuvole a trasformarsi nelle onde

 

mi si tuffa nel petto

l'immagine tua,

pezzo di una vita mia.

 

--

 

Per Maria

20.03.2008

 

Se la vita fosse una canzone,

canterei con tutta la voglia 

che l´amicizia è como un fiorellino,

si sboccia quando viene la primavera, 

lo sa bene il valore di una stagione, 

e gode i profummi portati dal vento.

 

Nel ritornelo ripeterei che l´amicizia 

conosce la durata di un tempo, 

sa che i periodi distanti 

sono fatti d´inverno, 

nebbia bianca coprendo la vita,

parole ghiacciate dalla pioggia di neve.

 

Come una canzone d´amore, 

direi che l´amore di un amico non muore mai, 

riposa quando il tempo non lo permette 

di vivere con intensità ma si sveglia appena vede la luce, 

strizza la sua rinascita appena ascolta la voce 

soffiata dall´altro cuore che gli pensa.

 

E come una vera canzone, non sarebbe mai finita. 

Una volta cantata resta incantata per più di una vita.

 

 

--In English--

 

A 1.000 senses

 

22.02.2016

 

The see-thru passage has never looked like a collage as it seems today

just when my feet go one step after the other

there's hunger for swerving off the tiles

each little corner, a fragment of oneself

each single line, bloodstream in search of a bosom

tree shadows of no windproof

slapping on my face the truth

- yet hidden thoughts -

manic desires being devoured by a single soul

these corridors never looked like portraits of my concrete fears but today

as my hands search for some warmth in my pockets

the lush fields of my skin

thrive for what's beneath

a thousand senses

dankness inside spread, no sun to endeavor neatness

nevertheless a palpable drifting grain thrusts against the wall

has it been detached from the core?

has it become part of an investigation?

it just asks for the freedom to pass

break shell

through sheer persistence.

 

 

Far from home

17.10.2008

 

far from home

that's the music she sings alone

using notes of a passing-tone

finds her way back in a song

 

far from home

is where her heart is

miles distance beating

nowhere willing to go

 

far from home

she watches the life along

crossing borders over the years

sailing grounds of missing owns

 

far from home

she dares to live and to

hopefully sink and drown

cold blames in the water flows.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poems - Portuguese, Italian, English

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